O verão em Portugal é sinónimo de dias longos, praia, viagens e tempo de qualidade em família. No entanto, as temperaturas elevadas que caracterizam esta época do ano exigem também uma atenção redobrada à saúde. As ondas de calor têm-se tornado mais frequentes e intensas e o organismo, sobretudo em determinados grupos, pode ser particularmente afetado pela exposição a temperaturas extremas.
Aproveitar as férias em pleno não significa colocar a saúde em segundo plano. Pelo contrário, é precisamente nesta altura que a prevenção, a vigilância e a manutenção de hábitos saudáveis podem fazer a diferença.
Neste artigo, reunimos alguns dos principais cuidados a ter para que possa desfrutar do verão com maior tranquilidade e segurança.
O impacto das ondas de calor no organismo
O calor extremo obriga o organismo a um esforço acrescido para manter a temperatura corporal estável. Quando os mecanismos naturais de regulação térmica, como a transpiração, deixam de ser suficientes, podem surgir os primeiros sinais de sobrecarga, como cãibras, sensação de exaustão, tonturas e, nos casos mais graves, golpe de calor.
De acordo com as orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS), entre os principais riscos associados às temperaturas elevadas encontram-se a desidratação, o agravamento de doenças crónicas e outras complicações relacionadas com o calor.
Estes efeitos não estão associados apenas a dias de temperaturas excecionalmente elevadas. A exposição prolongada ao calor e ao sol, sem os cuidados adequados, pode também afetar o bem-estar e a saúde ao longo do verão.
Hidratação e alimentação adequada
A hidratação é uma das principais formas de prevenir os efeitos das temperaturas elevadas. É importante beber água regularmente ao longo do dia, mesmo sem sentir sede, sobretudo nos períodos de maior calor.
A alimentação também desempenha um papel importante. Optar por refeições leves e por alimentos ricos em água, como fruta e hortícolas, pode ajudar a manter uma hidratação adequada e tornar a digestão mais confortável nos dias de maior calor.
Por outro lado, deve moderar-se o consumo de bebidas alcoólicas e açucaradas, privilegiando a água como principal fonte de hidratação.
Pequenos ajustes nos hábitos alimentares durante o verão podem contribuir para o bem-estar geral e ajudar a prevenir complicações relacionadas com o calor.
Cuidados com crianças, idosos e pessoas com doenças crónicas
Nem todas as pessoas reagem da mesma forma às temperaturas elevadas. As crianças, os idosos, as pessoas com deficiência e as pessoas com doenças crónicas encontram-se entre os grupos que podem ser mais vulneráveis aos efeitos do calor, exigindo, por isso, uma atenção especial.
As crianças pequenas têm maior dificuldade em regular a temperatura corporal e podem desidratar mais rapidamente. É importante garantir que bebem água regularmente, mesmo que não a peçam, e evitar a exposição direta ao sol nas horas de maior calor.
Nos idosos, a sensação de sede pode estar diminuída, aumentando o risco de desidratação. Alguns medicamentos podem também interferir com a capacidade do organismo de se adaptar ao calor. Nestes casos, é importante manter o acompanhamento médico e nunca alterar ou interromper a medicação sem indicação de um profissional de saúde.
As pessoas com doenças crónicas, nomeadamente diabetes, doenças cardiovasculares ou respiratórias, devem também estar particularmente atentas, uma vez que as temperaturas elevadas podem agravar sintomas ou dificultar o controlo da doença.
Como identificar sinais de desidratação e golpe de calor
Reconhecer atempadamente os sinais de alerta é importante para prevenir complicações.
A desidratação pode manifestar-se através de sede intensa, boca seca, diminuição da quantidade de urina ou urina mais escura, cansaço, dores de cabeça e tonturas.
O golpe de calor é uma situação potencialmente grave que requer assistência médica urgente. Temperatura corporal muito elevada, alterações do estado de consciência ou comportamento, confusão, náuseas, pulso acelerado, fraqueza intensa ou perda de consciência são sinais de alarme.
Perante sintomas sugestivos de golpe de calor, deve procurar-se assistência médica com urgência e, enquanto se aguarda ajuda, colocar a pessoa num local fresco e iniciar medidas de arrefecimento.
A importância de manter consultas e exames em dia, mesmo durante as férias
Durante as férias, é comum adiar consultas de rotina ou exames previamente recomendados. No entanto, o período de verão não deve significar uma interrupção do acompanhamento da saúde, sobretudo no caso de pessoas com doenças crónicas ou que necessitem de vigilância regular.
As análises clínicas podem ser importantes no acompanhamento de diferentes condições de saúde. Uma consulta de Nutrição pode ajudar a adaptar a alimentação às necessidades individuais, enquanto a Medicina Geral e Familiar permite acompanhar o estado geral de saúde, rever a medicação habitual quando necessário e esclarecer dúvidas relacionadas com os cuidados a ter durante os meses mais quentes.
Para quem pratica exercício físico regularmente, a Medicina Desportiva pode também contribuir para uma prática mais segura e adaptada à condição física de cada pessoa.
Adiar exames de diagnóstico ou consultas recomendadas pode atrasar a identificação de determinadas alterações. Manter a continuidade dos cuidados de saúde é também uma forma de prevenção.
Como a prevenção contribui para um verão mais tranquilo
A prevenção pode fazer toda a diferença para desfrutar do verão com maior segurança. Beber água regularmente, planear as atividades ao ar livre para os períodos de menor calor, usar roupa leve e fresca, aplicar proteção solar adequada e manter os cuidados de saúde necessários são gestos simples que ajudam a proteger toda a família.
Cuidar da saúde durante o verão não é incompatível com o descanso e o lazer. Pelo contrário, permite aproveitar estes momentos com maior tranquilidade e segurança.
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